Você acha que as pessoas devem participar do governo de seu país??

Movimento Jovem pela Democracia

Você acredita que o poder da juventude pode mudar o mundo?

   Principal   Sobre   Membros   Recursos   Fala MJD        Contato   Participe! 
Declaração de fundação, adotada pela Conferência de Nova Deli, aos 17 de Fevereiro de 1999.

Declaração de fundação, adotada pela Conferência de Nova Deli, aos 17 de Fevereiro de 1999.

Somos democratas de diferentes nações e culturas reunidos na Índia, a maior democracia do mundo, a fim de ponderar como fazer avançar a perspectiva para a democracia no mundo, às vésperas de um novo  milênio. É nossa convicção que chegou o momento de democratas de todo o mundo desenvolverem novas formas de cooperação a fim de promover o desenvolvimento da democracia. Tal cooperação é necessária para fortalecer a democracia onde ela é fraca, para reformar e revigorar a democracia mesmo onde ela é duradoura e para apoiar grupos pró-democracia em países que não tenham ainda entrado num processo de transição democrática.

 

Damos as boas-vindas a esta reunião de delegados de mais de 80 países e dos mais diferentes setores para promover um movimento mundial para a democracia. Afirmamos que o movimento para a democracia é um processo do qual um vasto número de países faz parte, e o qual não foi completamente terminado com êxito, nem aplicado consistentemente por nenhum país a si próprio ou a outros países. Compreendendo que as formas de governo democrático são plurais (não havendo nenhum único modelo de democracia a ser seguido), temos sido inspirados por experiências daqueles que têm estado na vanguarda de movimentos democráticos em países que tomaram a via democrática recentemente.

 

Desenvolver um movimento de democratas de todas as regiões do mundo tem sido exequível atualmente, devido à dramática expansão da democracia nos últimos 25 anos.

 

Tem-se igualmente tornado necessário – com urgência – como forma de responder ao inédito intercâmbio global de pessoas, idéias e bens que têm transformado o mundo. Somente através da adaptação bem sucedida a estas novas condições os democratas podem continuar a constituir uma força eficaz e influente a nível mundial. A durabilidade e o dinamismo contínuo da democracia globalmente requer uma comunidade de democratas por todo o mundo – líderes da política, da vida associativa, dos negócios, de sindicatos, da mídia, da vida acadêmica, e de organizações de análise de planos de ação diplomáticos de todas as regiões, os quais se encontram unidas por valores democráticos partilhados e por um compromisso de apoio mútuo e solidariedade.

 

O objetivo de construir um movimento mundial para a democracia pressupõe a universalidade da idéia democrática. Acreditamos que os seres humanos anseiam por liberdade devido à sua própria natureza, e que nenhuma cultura tem o monopólio de valores democráticos. A tradição da democracia tem sido enriquecida por contribuições de muitas culturas, e o desenvolvimento da democracia está aberto a pessoas de todos os lugares. Nem a História nem a Cultura de uma nação poderá justificar violações de direitos humanos, seja diretamente, pelo governo, seja indiretamente, através de quadrilhas ou violência criminosa. Mesmo em países onde a democracia é fraca ou não-existente, a coragem e auto-sacrifício demonstrados diariamente por incontáveis sindicalistas, líderes cívicos, ativistas de direitos humanos ou outros pró-democracia eloqüentemente afirmam o princípio de universalidade democrática.

 

O período recente de expansão democrática tem assistido à propagação de eleições democráticas por bem mais de metade dos 190 países do mundo. Apesar destes ganhos, e em alguns aspectos devido a eles, o esforço para fomentar o maior desenvolvimento da democracia encara, atualmente, dois desafios históricos:

 

O primeiro é consolidar os recentes ganhos democráticos através do aprofundamento da democracia para além da sua forma eleitoral. Isto envolve, entre outras coisas:

 

- melhorar a proteção para os direitos humanos e o poder da lei;

- reforçar instituições judiciais e legislativas, assim como outras agências para responsabilizar o poder do estado;

- empoderar formas de governo democráticas ao nível local;

- assegurar a igualdade e participação total das mulheres;

- empoderar grupos marginalizados para estes se tornarem parceiros na reestruturação das suas próprias sociedades;

- revigorar a sociedade civil e os autônomos da mídia de massas;

- garantir os direitos fundamentais dos trabalhadores, especialmente a liberdade de reunião;

- assegurar que aqueles que trabalham de modo não-violento para a transformação democrática das suas sociedades tenham o espaço e os recursos necessários à sua tarefa;

- controlar a corrupção e promover a transparência;

- estender o controle civil sobre as forças militares;

- cultivar valores e convicções democráticas; e

- resolver conflitos de direitos de grupos minoritários e clamar pelo espírito e pelos mecanismos da democracia.

 

O segundo desafio é promover a liberalização política e a transição democrática nos restantes sistemas autoritários. Isto pode não acontecer rapidamente. Contudo, é importante fazer o que for possível em cada situação para ajudar a variedade de grupos e indivíduos que se encontram trabalhando através de formas não-violentas para a mudança e abertura democrática.

 

Para ajudar a manter o momentum global para o progresso democrático, nós acreditamos haver a necessidade de uma rede mundial de praticantes e pensadores democráticos, compromissados no apoio mútuo, intercâmbio e cooperação. Adotamos aqui, para a nossa rede, o nome “Movimento Mundial pela Democracia”. Esta rede global incluirá:


- representantes de partidos políticos procurando a reforma e renovação de partidos políticos e sistemas partidários;

- líderes de ONGs e outros profissionais trabalhando com vista a melhorar os direitos humanos; institucionalizar a transparência e responsabilidade; modernizar o sistema legal; reforçar instituições representativas; melhorar o status das mulheres na política, sociedade e economia; incorporar outros grupos excluídos; promover a educação cívica; e, assim, reformar e revigorar a democracia;

 

- sindicalistas compromissados a dar uma voz democrática aos trabalhadores numa economia global em rápida mudança;

 

- líderes de negócios compromissados com a democracia, competição econômica e governos corporativos transparentes e responsáveis;

 

- líderes de institutos de pesquisa política e outros acadêmicos e analistas que estão não meramente estudando as condições para a democracia, mas avançando iniciativas concretas para reforma institucional e política;

 

- educadores cívicos e de outras áreas que trabalham dentro e fora do sistema escolar formal e em várias partes da sociedade civil para desenvolver nos seus concidadãos valores, capacidades e conhecimento que estabeleçam uma sociedade participativa e livre.

 

- líderes religiosos que estão trabalhando pela liberdade de consciência e liberdade de culto de todas as pessoas e crenças;

 

-          representantes de fundações internacionais de democracia que oferecem assistência financeira e técnica a grupos pró-democracia em países autoritários e em transição;

 

- jornalistas independentes, produtores e outros especialistas em comunicações que podem ajudar grupos pró-democracia a utilizar novas tecnologias de informação para a construção da democracia.

 

A promoção da cooperação entre democratas não é idéia nova. A democratização de certos países tem sido obtida primeiramente através da luta de pessoas desses países, mas estes têm várias vezes ganho energia pela difusão de idéias democráticas, estratégias e normas além de fronteiras nacionais, e pelo apoio prático concedido por organizações não-governamentais em democracias estabelecidas. Mas há agora muitas oportunidades adicionais, à medida que mais das democracias estabelecidas se envolvem na assistência democrática, e à medida que as mesmas novas democracias se tornam activas no compromisso e dar assistência a outras democracias emergentes e regimes em transição.

 

O objetivo do Movimento Mundial pela Democracia não é criar uma nova organização centralizada que tomará decisões por si. De fato, o movimento não é uma organização enquanto tal. Antes, é uma rede pró-ativa de democratas que se encontrarão periodicamente (não menos de que uma vez cada dois anos) para trocar idéias e experiências e para melhorar a colaboração entre forças democráticas de todo o mundo.

 

Criando um fórum de democratas de democracias estabelecidas, novas democracias e países em transição e autoritários, acreditamos ser importante evitar qualquer impressão de relação patrão-cliente.

 

Para atingir este fim, a rede oferecerá um espaço de interação para todos aqueles que sentirem a necessidade de receber apoio e para aqueles capazes de o fornecer de várias formas. Aqueles que lutam para abrir sociedades fechadas encontrarão no movimento uma rede de democratas simpatizantes com as suas causas. Aqueles que procuram aprofundar e reformar a democracia no seu próprio país, e aqueles que querem dar eficaz assistência democrática a partir do exterior, encontrarão novos meios de comunicação e saber partilhado para melhorar a sua eficiência. Igualmente, pensadores democráticos de pensamentos próximos, acadêmicos e analistas políticos encontrarão na rede um empolgante canal para o intercâmbio de idéias, projetos, pesquisas, iniciativas de reforma e desenhos institucionais para a democracia. A rede pode também ajudar a melhorar os recursos internacionais agora disponíveis para assistência técnica e financeira para desenvolvimento democrático.

 

Sendo a rede não-governamental, aprecia o desempenho vital que governos têm no fomento da cooperação institucional para promover a democracia.

 

A rede reconhece a importância de transparência e justiça no funcionamento de instituições internacionais. E está determinada a assegurar o envolvimento total e igualitário de representantes de todas as regiões nas suas próprias atividades futuras, incluindo trabalho preparatório para encontros do Movimento Mundial pela Democracia.

 

Nossa assembléia inaugural na Índia é simplesmente o começo. Há uma grande tarefa pela frente. Estamos confiantes que novo movimento vai ganhar raízes e crescer com força, e que ajudará pessoas por todo o mundo que desejam a democracia como forma de vida para si e para gerações futuras.

 

Saiba mais sobre o Movimento Mundial pela Democracia no website do Movimento, www.wmd.org